terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Crónica de Helena Dias nº3

2Foi com muita expectativa e esperança que me dirigi a Rio Maior para assistir a mais um Congresso da Ginástica e Plenário Nacional de Treinadores de Ginástica Rítmica organizado pela FGP. Para minha desilusão, infelizmente, o número de treinadoras e juízes de GR ligadas à disciplina foi diminuto, podendo-se contar pelos dedos de uma mão o número de participantes. O Congresso decorreu dentro da normalidade com apresentações muito interessantes, como sempre. Fizeram-me lembrar os tempos da faculdade e recordar alguns conceitos já esquecidos, embora os apliquemos no dia a dia do treino.

Quanto ao plenário nacional de treinadores e devido à sua especificidade, fomos divididos por salas diferentes de modo a aprofundar as problemáticas de cada disciplina de modo mais individualizado.
4Infelizmente, a nossa sala foi apenas composta com a presença de 5 treinadoras, uma delas da seleção nacional de conjunto sénior, e duas juízes internacionais de GR. Pergunto-me, se nem as treinadoras com ginastas no escalão de elites e apoiadas pela FGP estiveram presentes, como podemos censurar outras treinadoras que se esforçam por desenvolver a GR nos seus clubes? Será desinteresse, desmotivação ou comodidade?

Pensava eu que no plenário seria apresentado o projeto gímnico da FGP para a modalidade da GR. Mas não. Tal não aconteceu. Apenas fomos informadas que há o objetivo de ter a ginástica rítmica portuguesa nos Jogos Olímpicos de 2016.

5O plenário teve única e exclusivamente o objetivo de lançar o debate sobre o desenvolvimento da GR a nível nacional e forma de o aplicar.

Fiquei incrédula! Então temos um objetivo para os JO de 2016 e ainda não temos um projeto de desenvolvimento da GR a nível nacional?
Na minha opinião apenas tem de haver um objetivo, o principal de todos e que sem ele nada é possível: a vontade de investir na disciplina de GR.

Comecemos então por enumerar o porquê de não se sentir esse investimento de que tanto falam, mas que não passa do papel:
- todo o desenvolvimento está centrado nos clubes e muitas vezes à custa das treinadoras que sozinhas vão concretizando pequenos projetos;
- a inexistência de uma política desportiva nacional. Basta ver que a profissão de treinadora apenas existe como um hobby, não tendo os clubes muitas vezes capacidades para suportar as despesas de uma classe de competição de GR;
- a problemática dos aumentos das filiações/refiliações da FGP que no momento de crise atual no país provocou um descontentamento por parte dos encarregados de educação face às despesas apresentadas pelos clubes, pois os mesmos despendem a mensalidade, o material (aparelhos e maillots), assim como, as despesas para as provas. Portanto, e cada vez mais a ginástica está a tornar-se num desporto caro e apenas para quem pode pagar;
3- tornando-se a ginástica um desporto de elite menos crianças chegam aos clubes;
- o desenvolvimento da GR é da responsabilidade das associações, mas estas apenas resumem a sua atividade à organização de competições;
- existindo, apenas, uma seleção nacional, a de conjunto sénior, não entendemos o porquê da eliminação de uma prova de conjuntos do calendário nacional da FGP;
- qual o sentido da existência de uma Liga BASE, se esta termina a época desportiva em fevereiro? Poderia haver um projeto de Conjuntos para estas ginastas, por exemplo, com duos, trios, etc. Mas nunca deixar estas ginastas de parte e sem objetivos durante mais de metade de uma época desportiva;
- segundo o Manual de GR para esta época um dos objetivos é privilegiar o trabalho de conjuntos nos escalões mais novos. Ora bem, neste caso o escalão de Infantis é o único privilegiado com mais que uma prova em relação aos outros escalões. Pergunto, isto faz sentido? E os outros escalões das ginastas mais novas: iniciadas, juvenis, e porque não juniores, visto que para o ano de 2015 temos o Campeonato da Europa de Conjunto Júnior?;
- estágios das seleções nacionais de individuais sem uma treinadora nacional, obrigando a que as treinadoras com ginastas convocadas sejam “obrigadas” a abandonar o seu trabalho nos clubes para poder acompanhar uma ginasta durante o estágio. 1
Fico-me por aqui na esperança de que o novo ano traga ideias novas e cheias de saúde para a GR. É preciso ultrapassar o posicionamento vesgo e paroquial do clubismo serôdio, com projetos com uma base sólida assente numa visão de futuro com abrangência nacional, com objetivos sólidos de conquista de uma representação internacional digna e ganhadora.

Haja vontade de investir bem para mais tarde se recolher os frutos!
Um Bom 2014!

Dezembro 2013
Helena Dias

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