sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Crónica de Ida Pereira nº4

Este mês foi notícia a partida do músico Fernando Tordo para o Brasil. Emigrou aos 65 anos. E disse: …a vida aqui no meu País, ao fim de 50 anos de profissão tornou-se impossível, sem trabalho.

Perguntarão porque é que a minha cronica deste mês começa, com esta referência ao Fernando Tordo. Porque como qualquer cidadão que se preze sinto-me culpada! É verdade! Culpada por não ouvir mais música portuguesa, culpada por não comprar mais música portuguesa, culpada por não utilizar mais música portuguesa ao longo da minha carreira como treinadora de Ginástica Rítmica.


Em 1983 no Campeonato do Mundo para a 1ª qualificação olímpica de Ginástica Rítmica a ginasta Mª João Falcão obtém em maças 9,45 (em 10.00 pontos) e o 26º lugar nesse aparelho entre 92 ginastas. A música era um arranjo do Fandango Ribatejano e da canção popular Alecrim, alecrim dourado, feito e tocado pelo pianista Rui Guedes.


A preocupação de arranjar música Portuguesa para as nossas ginastas quer de nível nacional quer de nível internacional, é uma preocupação de quase todas as treinadoras. Mas será que é suficiente?

Neste momento o fado está na moda, e como é mais divulgado, é mais fácil convencer as ginastas a utilizá-lo, mas a nossa música não é só fado, desde à música clássica até rap, a música portuguesa de qualidade existe.

Falei da Maria João Falcão e da aceitação que a música e o exercício tiveram naquele campeonato, e que o risco assumido pela treinadora Jenny Candeias foi recompensado. Mas lembro-me de diversos casos, a Patrícia Jorge com um Original do Pedro Osório em Corda e com um fado e o malhão em Maças. A Clara Piçarra em bola com a valsa do Carlos Paredes. Apesar de me sentir culpada sempre utilizei música portuguesa com ginastas e conjuntos e muitas vezes o ”risco” foi recompensado.

Mas será que não poderia ter feito mais? 


Fevereiro de 2014 – Ida Pereira

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