sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Crónica de Eunice Lebre (Convidada nº2)

Em que e que a Ginástica contribuiu para a minha formação?Untitled 1

(crónica destinada a todos os pais que hesitam em manter os seus rebentos na ginástica ou em qualquer outra prática desportiva sistemática e a todas as ginastas que começam a perguntar-se se vale a pena continuar)

Não é fácil imaginar a minha vida sem ginástica. Digo mesmo que comecei a praticá-la tão jovem que não me lembro mesmo da minha infância sem as idas ao Lisboa Ginásio Clube, onde comecei a atividade nos anos 60!

A ginástica fez parte integrante da minha educação e teve uma contribuição determinante para a minha formação como pessoa, como profissional e até como mãe!

A minha amiga Josefina Cruz (sim essa mesmo do GCP...) costuma dizer que eu tenho uma estrela de sorte na testa... até posso concordar mas ter essa estrela tem me dado um enorme trabalho!!! Claro que é preciso ter a sorte de estar no sítio certo à hora certa, mas na maior parte das vezes foi a GINASTICA que me ensinou a lutar por estar lá e me ensinou a aproveitar as oportunidades (ou até mesmo a lutar por elas)!
O que é que a ginástica me deu? Pois bem vou passar a enumerar alguns exemplos (e acreditem que são só exemplos porque a soma das partes é bem menor que o todo!)

Disciplina
Foi na ginástica que tive o primeiro contacto com a disciplina. “Alinha pela da frente e pela do lado” – dizia a Jenny do outro lado do ginásio... Podem querer que para a pequena Eunice (uma individualista chapada) era uma das maiores dificuldades do treino! Aliás o trabalho de conjuntos em GR é uma das melhores formas de treinar a disciplina dos jovens espíritos irrequietos e por vezes a “armar à vedeta”! Habituar-se a respeitar a velocidade e o estilo de trabalho, preparam-nos para no futuro ser mais maleáveis em ambientes de trabalho por vezes algo hostis.


Untitled 3Assiduidade
“- Oh mãe dói-me a cabeça, não posso ir à escola!
- As meninas que não vão à escola também não vão à ginástica.
- Ups!... mãe, parece que já estou melhor....”
Um treino/aula perdido jamais poderá ser compensado... Uma máxima que aprendi desde pequena com a Jenny Candeias e que mais tarde ensinei às minhas filhas. E a compensação de um ano sem faltas aos treinos era o enorme orgulho de receber uma medalha de “mérito” na Semana Desportiva do LGC que se realizava no final do ano letivo!!!! (tenho 5 dessas dentro do saco de pano juntamente com as outras medalhas). Mas a verdadeira compensação é a capacidade de trabalhar anos a fio com muito poucos fins de semana de descanso, mas com um enorme prazer do dever cumprido!

Capacidade de trabalho
Claro que nada se consegue sem trabalho... mas na ginástica sentimos literalmente na pele quando não trabalhamos! Quando não treinamos o suficiente não conseguimos realizar os elementos, não conseguimos executar os elementos de dificuldade, ou mesmo as “pequenas ligações” que queremos colocar no exercício. E cedo aprendemos que esse trabalho tem que ser diário e sistemático e isso prepara-nos para a vida, para o mercado de trabalho!
Podem querer que para fazer um doutoramento em três anos foi preciso encarar muitas das tarefas como se treinos árduos se tratassem!!!

Competitividade
Nos dias de hoje, sobretudo na vida profissional, é necessário saber-se perder e sobretudo saber-se ganhar (que é mais raro acontecer e mais perigoso!).
Nas competições aprendemos que perdemos muito mais vezes do que ganhamos e sobretudo aprendemos que as vitórias são efémeras. Aprendemos que uma medalha ao peito significa que a partir daí se tem que trabalhar ainda mais e ainda mais duro!
Com a ginástica aprendemos sobretudo a encarar cada desafio profissional como se de uma competição se tratasse: temos que treinar muito e de forma sistemática para estarmos em forma no momento certo e depois não descurar o mais pequeno pormenor durantes as nossas performances (profissionais ou desportivas)!
Ainda me lembro que mesmo 10 anos depois de ter deixado de competir, quando entrei para defender a minha tese de doutoramento, me concentrei como se de uma competição se tratasse... e continuei a utilizar a mesma metodologia sempre que tinha que fazer apresentações em publico! E podem querer que deu resultado!

Wide World Vision Untitled 2
Perdoem-me o anglicismo mas posso traduzi-lo por visão alargada do mundo, ou ainda melhor, o mundo não acaba no fundo da nossa rua!
Através da ginástica aprendi a relativizar os sucessos e insucessos, aprendi que há muito mais para além da nossa pequena redoma... há um imenso mundo para além do nosso mundo.
Até posso ter sido um dia “a melhor da minha rua”, mas basta mudar de “bairro” para identificar logo um monte de gente melhor que eu!
Como disse no início... estes são apenas alguns, muito poucos exemplos de como a ginástica contribuiu para a minha formação pessoal! Ganhei muitíssimo mais do que as simples horas que gastei no ginásio e para além disso fiquei ainda com um bom punhado de amizades para o resto da vida!

Eunice Lebre
Novembro de 2013

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